Trânsito em julgado e prisões em andamento: se a tentativa de golpe tivesse vencido, quem estaria sendo preso hoje?
O Brasil vive nesta data um marco histórico na proteção da democracia: o trânsito em julgado das condenações dos líderes do núcleo duro da tentativa de golpe e o início do cumprimento das prisões de figuras como Augusto Heleno, Braga Netto, Paulo Sérgio, Capitão Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Anderson Torres e o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha.
As cenas de hoje — com generais, um almirante da ativa à época dos fatos, ex-ministros e articuladores políticos sendo levados para cumprir pena — representam o fim de um longo processo judicial e o início da responsabilização definitiva de quem tentou derrubar as instituições e rasgar a Constituição.
Mas, diante deste momento histórico, uma pergunta inevitável surge:
E se a tentativa de golpe tivesse dado certo? Quem estaria sendo preso agora?
A resposta é direta: não seriam os golpistas que estariam atrás das grades.
Se a ruptura institucional tivesse triunfado, seriam os defensores da democracia que estariam vivendo hoje o pesadelo da perseguição, da censura e da prisão arbitrária.
O que aconteceria em um Brasil onde o golpe tivesse sido bem-sucedido?
A história comparada de golpes militares e regimes autoritários mostra um padrão claro. Os primeiros alvos da repressão seriam:
1. O presidente Lula, a vice e ministros do governo eleito
Destituídos, presos ou enviados ao exílio.
2. Ministros do STF — especialmente os mais atacados pelos golpistas
Moraes, Gilmar, Barroso e outros seriam removidos, presos ou silenciados.
3. Parlamentares democratas
Deputados e senadores contrários ao novo regime sofreriam perseguição, cassação e prisão.
4. Jornalistas e veículos de imprensa
Censura, prisões e fechamento de redações seriam medidas iniciais para controlar a narrativa.
5. Lideranças sociais e movimentos organizados
CUT, MST, MTST, UNE e entidades populares seriam enquadradas como “subversivas”.
Suas lideranças, presas.
6. Policiais, militares e servidores resistentes
Qualquer autoridade que se recusasse a aderir ao regime seria perseguida ou encarcerada.
Em resumo: os democratas estariam atrás das grades — e os condenados de hoje estariam no comando do país.
O trânsito em julgado e as prisões em curso não são meros atos formais. São um recado firme e claro:
O Brasil não tolera rupturas institucionais.
Quem ataca a democracia responderá dentro dela.
A Justiça está corrigindo, com rigor, o que o país deixou escapar em outras fases da história: a responsabilização efetiva de quem tentou destruir o Estado Democrático de Direito.
As prisões de hoje marcam o fim de um ciclo de impunidade e reforçam uma verdade essencial: golpes não podem — e não vão — passar impunes.
E lembram ao Brasil que, se a tentativa de golpe tivesse vencido, o cenário desta data seria o oposto:
jornalistas, ministros, opositores, servidores, militantes e democratas estariam encarcerados, enquanto os golpistas governariam o país.
Marcos Dantas

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