Política sobre cadáveres: até onde vai a exploração das mortes no Rio de Janeiro? Mas o que muda — ou o que mudará — se continuarmos assim? Nada. Porque o sistema foi desenhado para proteger quem está no topo e punir quem está à margem. As ações contra os “peixes pequenos” dão a falsa sensação de justiça, um teatro de moralidade para distrair o público enquanto os grandes predadores seguem ilesos, acumulando poder e fortuna.

Por Diário do Maciço de Baturité

Um dia após uma operação desastrosa que deixou centenas de mortos no Rio de Janeiro, o governador do estado, em vez de se recolher para prestar contas ou buscar soluções humanitárias, decidiu convocar uma reunião com governadores alinhados à extrema direita. O encontro, sob o pretexto de discutir segurança pública, teve um pano de fundo sombrio: usar as mortes como palanque político.

O que deveria ser um momento de luto, reflexão e responsabilidade virou palco para discursos inflamados e tentativas de construir uma narrativa de confronto com o governo federal. A dor das famílias foi transformada em combustível para a velha disputa ideológica entre o autoritarismo travestido de “ordem” e a democracia fragilizada que tenta resistir aos ataques constantes.

Mais de cem pessoas perderam a vida em uma ação marcada pela falta de planejamento, coordenação e, principalmente, sensibilidade. A tragédia, que deveria mobilizar o país por respostas, acabou sendo usada como instrumento de propaganda política, em um perigoso jogo de poder que banaliza a morte e desumaniza os brasileiros das periferias.

Até quando o sangue do povo será usado como palco para discursos populistas?

Até quando a política da morte vai substituir a política da vida?

É urgente que o Brasil cobre responsabilidade, transparência e empatia de seus governantes. Segurança pública não se constrói com discursos inflamados e execuções, mas com educação, inteligência, políticas sociais e respeito à vida.

Enquanto alguns usam as tragédias como trampolim eleitoral, o país segue enterrando pessoas  — e a democracia, pouco a pouco, com elas.

Mas o que muda — ou o que mudará — se continuarmos assim?

Nada.

Porque o sistema foi desenhado para proteger quem está no topo e punir quem está à margem. As ações contra os “peixes pequenos” dão a falsa sensação de justiça, um teatro de moralidade para distrair o público enquanto os grandes predadores seguem ilesos, acumulando poder e fortuna.

Marcos Dantas.

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