Carla Zambelli tem prisão definitiva decretada e Brasil pede extradição à Itália STF confirma trânsito em julgado da condenação e determina perda imediata do mandato. Narrativas da extrema direita tentam deslegitimar os fatos.

Neste sábado (7), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão definitiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e determinou que o governo brasileiro formule oficialmente o pedido de extradição à Itália, onde ela está desde que deixou o Brasil. A decisão se baseia no trânsito em julgado da condenação, após a rejeição de todos os recursos possíveis.

Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão em regime fechado por envolvimento direto na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos, como um mandado de prisão contra o ministro Moraes, elaborados em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto. Também foi fixada multa de mais de R$ 2 milhões.

Além da prisão, Moraes ordenou a comunicação imediata à Câmara dos Deputados para que declare a perda do mandato parlamentar, sem necessidade de votação em plenário, conforme a legislação e jurisprudência do STF.

Fuga e extradição

Após a condenação, Zambelli deixou o país rumo à Europa. Com a confirmação do trânsito em julgado, Moraes determinou que o Ministério da Justiça encaminhe às autoridades italianas o pedido formal de extradição, conforme tratado de cooperação internacional entre os dois países.

Embora possua dupla cidadania (brasileira e italiana), a Constituição brasileira proíbe a extradição de brasileiros natos pelo Brasil. No entanto, cabe à Itália decidir se extradita uma cidadã com dupla nacionalidade em nome da cooperação jurídica internacional. Ainda não há prazo para essa resposta.

Tentativa de distorção dos fatos

Como de praxe, setores da extrema direita já iniciaram uma campanha de desinformação sobre o caso, apresentando Zambelli como vítima de “perseguição política”. Alegações infundadas sobre falsidade das provas e parcialidade do STF têm sido replicadas nas redes sociais.

A verdade, contudo, é que a condenação foi unânime entre os ministros da Primeira Turma do STF e baseada em farta documentação, áudios, laudos técnicos e confissões, inclusive do próprio hacker envolvido.

Zambelli, que ficou conhecida por ações políticas agressivas e controversas, agora se torna o primeiro grande nome do bolsonarismo a ser condenado com trânsito em julgado por crimes digitais contra o Judiciário.

O que vem agora

O caso de Carla Zambelli é emblemático: mostra os limites da imunidade parlamentar e a resposta institucional aos abusos de poder cometidos sob o disfarce de militância política. Agora, o futuro da deputada depende das autoridades italianas. No Brasil, ela já está cassada, condenada e considerada foragida.

Enquanto isso, o país segue acompanhando — entre perplexidade e alívio — o desfecho de mais um capítulo sombrio da era do extremismo político travestido de patriotismo.

Marcos Dantas 


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