Por que existem tantos cursos que ensinam advogados a ganhar dinheiro nas redes sociais? Em um cenário de crise, concorrência acirrada e transformação digital, os cursos de marketing jurídico explodem no Brasil. Mas será que todos entregam o que prometem?

O novo mercado da advocacia: digital ou desistência?

Nos últimos anos, tornou-se comum ver advogados oferecendo ou comprando cursos sobre como atrair clientes e faturar usando as redes sociais. Instagram, TikTok, YouTube e até o WhatsApp viraram os novos “escritórios” da advocacia digital.

Mas o que está por trás dessa tendência? Por que tantos advogados — e principalmente recém-formados — estão correndo atrás dessas promessas digitais?

Concorrência, custos e frustração

O Brasil já ultrapassa a marca de 1,3 milhão de advogados registrados. Isso significa uma das maiores densidades de profissionais por habitante no mundo. Ao mesmo tempo, o custo para manter-se na profissão não é baixo: aluguel, sistemas jurídicos, certidões, deslocamentos, cursos, e a famigerada anuidade da OAB.

Sem clientela fixa, muitos veem nas redes sociais um último suspiro ou uma tentativa de se manter ativo e visível.

A promessa do marketing jurídico

Com a pandemia, o digital se consolidou como canal de negócios. O marketing de conteúdo, quando bem usado, permite ao advogado se posicionar como autoridade em determinada área do Direito — tudo dentro das regras do Código de Ética da OAB.

É nesse contexto que surgiram os cursos de marketing jurídico: prometem ensinar como criar conteúdo, atrair seguidores, gerar engajamento e transformar tudo isso em clientes reais e faturamento.

Influenciadores jurídicos e o “negócio de ensinar”

Com o sucesso de alguns advogados nas redes, rapidamente outros passaram a oferecer mentorias, e-books e treinamentos com promessas como:

"Fature R$ 10 mil por mês como advogado digital"

"Transforme seguidores em clientes em 30 dias"

"Aprenda a viver de advocacia no Instagram"

A profissão de advogado virou, em parte, também uma profissão de “influenciador jurídico”. Em muitos casos, quem ganha mais não é quem advoga, mas quem ensina outros a advogar nas redes.

Nem todos vão virar estrelas do Instagram

É preciso colocar os pés no chão: nem todo advogado vai (ou precisa) virar influencer. Produzir conteúdo é trabalhoso. Leva tempo. Exige técnica, empatia e constância. Muitos cursos vendem atalhos que não existem — e isso gera frustração.

Por isso, é fundamental olhar para esses cursos com senso crítico. Eles podem ser úteis, sim, mas não substituem estudo jurídico, prática, ética e reputação construída ao longo do tempo.

A profissão está mudando, e isso é um fato

Mais do que modismo, essa avalanche de cursos e perfis digitais mostra que a advocacia está mudando. O cliente também mudou: hoje ele pesquisa no Google, assiste vídeos no YouTube, segue advogados no Instagram e quer agilidade nas respostas.

Ignorar isso pode custar caro. Mas acreditar que todo sucesso vem de um curso rápido também é ilusório.

A explosão de cursos que prometem ensinar advogados a ganhar dinheiro nas redes sociais é resultado direto da crise da advocacia tradicional e da revolução digital que atinge todos os setores.

Se por um lado essas formações podem ajudar na comunicação e na visibilidade, por outro lado não substituem o básico: competência, ética, estudo e paciência.

A advocacia ainda é uma maratona — só mudou o terreno.

Marcos Dantas 

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