Chantagem, barganhas e narrativas: a fogueira política que queima a confiança do povo.
Junho se despede, mas a temperatura no cenário político segue nas alturas. As festas juninas dão lugar aos arraiais do poder, onde o fogo da chantagem institucional, das barganhas por emendas e das disputas de narrativa entre os Três Poderes segue aceso — queimando, principalmente, a confiança da população na política.
O Congresso pressiona o Executivo para liberar emendas bilionárias com cada vez menos critérios e mais exigências. Ao mesmo tempo, tenta evitar qualquer tipo de fiscalização judicial sobre esses recursos, utilizando o poder legislativo como escudo e espada para proteger interesses próprios.
Mais recentemente, a polêmica da derrubada dos vetos ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) reacendeu a crise. Mas, ao contrário do que costuma acontecer, esse imposto atingiria justamente aqueles com maior renda e patrimônio, que fazem operações financeiras mais robustas e que, em muitos casos, pagam pouco ou nenhum imposto proporcional ao que possuem. Ou seja, a resistência ao IOF expõe a blindagem daqueles que sempre foram protegidos — enquanto a conta da crise continua recaindo sobre o Estado e, indiretamente, sobre os serviços que faltam aos mais pobres.
A decisão sobre os vetos agora está sendo jogada para o STF, em mais uma tentativa de tirar o peso político das costas do Congresso, transferindo o desgaste para o Judiciário. Essa "guerra de bastidores" acontece ao mesmo tempo em que as eleições de 2026 já estão em curso — mesmo que o povo ainda nem tenha se dado conta.
A movimentação de partidos, o uso de narrativas para mobilizar eleitorado, e a manipulação da opinião pública — inclusive com o uso de desinformação — já fazem parte do jogo. Um jogo que começa muito antes do horário eleitoral e, infelizmente, longe das necessidades reais da população.
Quem está sendo representado nas decisões? O povo ou os protegidos do sistema?
O que arde agora não é só a fogueira de São João — é o fogo da indignação de quem já entendeu que o país não pode continuar sendo governado em função de chantagens e interesses próprios.
Marcos Dantas.

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