Política sobre cadáveres: até onde vai a exploração das mortes no Rio de Janeiro? Mas o que muda — ou o que mudará — se continuarmos assim? Nada. Porque o sistema foi desenhado para proteger quem está no topo e punir quem está à margem. As ações contra os “peixes pequenos” dão a falsa sensação de justiça, um teatro de moralidade para distrair o público enquanto os grandes predadores seguem ilesos, acumulando poder e fortuna.
Por Diário do Maciço de Baturité Um dia após uma operação desastrosa que deixou centenas de mortos no Rio de Janeiro, o governador do estado, em vez de se recolher para prestar contas ou buscar soluções humanitárias, decidiu convocar uma reunião com governadores alinhados à extrema direita. O encontro, sob o pretexto de discutir segurança pública, teve um pano de fundo sombrio: usar as mortes como palanque político. O que deveria ser um momento de luto, reflexão e responsabilidade virou palco para discursos inflamados e tentativas de construir uma narrativa de confronto com o governo federal. A dor das famílias foi transformada em combustível para a velha disputa ideológica entre o autoritarismo travestido de “ordem” e a democracia fragilizada que tenta resistir aos ataques constantes. Mais de cem pessoas perderam a vida em uma ação marcada pela falta de planejamento, coordenação e, principalmente, sensibilidade. A tragédia, que deveria mobilizar o país por respostas, acabou sendo usad...